Yoga

Não existe uma definição simples, nem resposta curta para indicar o que é Yoga. Mas podemos dizer que essa palavra indica tanto um tipo especial de treinamento (prática) para transformação pessoal, quanto o resultado atingido por essa prática.

A palavra Yoga em sânscrito vem do verbo yuj que significa juntar, unir, fundir. Yoga significa união, (de dois planetas, por exemplo), fusão. Quando Yoga é entendido como união ou fusão, estamos nos referindo ao seu objetivo.

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Não existe apenas um tipo de Yoga tradicional na Índia, mais muitos tipos. Todos eles possuem o mesmo objetivo final, mas apresentam diferentes métodos e técnicas. São como diferentes caminhos que levam ao topo de uma mesma montanha. Cada tipo é mais adequado para certo tipo de pessoa.

Não sabemos exatamente quando e como os primeiros tipos de Yoga desenvolveram na Índia. Alguns deles certamente já existiam há 3.000 anos, talvez antes disso. Essa tradição tem se mantido por vários séculos e milênios, sofrendo mudanças ao longo do tempo. Mas o espirito central do Yoga foi conservado e continua a ter enorme influência na Índia de hoje, onde encontramos milhões (sim, milhões) de pessoas que buscam a transcendência espiritual.

OS TIPOS DE YOGA

Tapasyā – Um dos métodos mais antigos, mas que não costuma ser classificado como um tipo especifico de Yoga, é o ascetismo ou austeridade (tapas, em sânscrito). Esse método é denominado Tapasyā e, muito raramente como Tapas-Yoga. A palavra tapas significa, literalmente, calor, ardor. Pode também significar sofrimento, dor. É um nome técnico aplicado a diversos tipos de austeridades extremas como certos tipos de jejum, ou ficar de pé, sem se deitar, durante anos. O sofrimento tem a função de purificação da pessoa, ou seja, elimina as sementes deixadas por seus crimes ou más ações (pāpa) do passado, auxiliando na obtenção da libertação (moksa).

 

āna-Yoga – Ou Yoga da sabedoria, é um processo pelo qual se procura captar o conhecimento espiritual mais profundo. Esse é o princípio básico de duas correntes filosóficas indianas de grande importância, o Sāṅkhya e o Vedānta – duas das seis filosofias indianas clássicas. Ensina caminhos para o autoexame e a análise da natureza humana. A meta desse tipo de Yoga é reconhecer o Eu supremo em si mesmo e em todos outros seres. É mais adequado a pessoas mais inclinadas ao lado intelectual e é considerado por muitos o mais desafiador.

 

Karma-Yoga – Esta é a conduta Yogin de ação, e você a pratica quando age de maneira altruísta, sem pensar em sucesso ou recompensa. Essa conduta é valorizada por purificar o coração e reduzir a influência do ego em suas palavras, suas ações e sua interação com os outros. Praticar o Karma-Yoga é a melhor forma de se preparar para a meditação silenciosa. Combina com pessoas de temperamento ativo e extrovertido.

Bhakti-Yoga – Esta é a conduta Yogin para a religiosidade. Envolve orações, idolatria e rituais que incluem cantos de devoção. Seus praticantes chegam a entrar em contato com o Divino por meio da corporificação do amor. Praticantes emotivos por natureza sentem-se atraídos por esse tipo de Yoga.

Mantra-Yoga – A palavra mantra significa um instrumento destinado a atuar sobre a mente (manas). Na antiga tradição indiana, os mantras eram partes do Vedas. Um hino inteiro os Vedas não é chamado de mantra, mas versos isolados eram considerados mantras. De acordo com a tradição indiana, os sons dos mantras são muito especiais, por isso sua repetição produz mudanças profundas na pessoa. O mantra induz estados alterados de consciência, desperta a sabedoria interna e pode contribuir para a liberação espiritual (moksa).

Rāja-Yoga (de Patañjali) – Muitos textos antigos se referem a práticas “mentais” ou internas, como as de retração dos sentidos (pratyāhāra), concentração (dhāranā), meditação (dhyāna) e união (samādhi). Patañjali, um sábio que viveu alguns séculos antes ou depois do inicio da era cristã, sistematizou um tipo de Yoga que dá atenção especialmente a essas práticas internas, combinando-as também com normas de ação (Yama e niyama) e com postura e respiração.

 

Tantra – É um método espiritual de libertação que substitui os ensinamentos indianos antigos (a tradição dos Vedas) por outros diferentes, que se opõem às normas antigas (dharma). O Tantra se opõe ao ascetismo e propõe o uso de todas as coisas que possam atrair uma pessoa (incluindo sexo) como instrumento para a libertação espiritual. Ele propõe obter a libertação (moksa) junto com o desfrute (bhoga) de prazeres. Porém, Tantra não se reduz a sexo. O Tantra utiliza de uma variedade de técnicas para que a pessoa se transforme. Elas incluem mantras, rituais de vários tipos, meditação utilizando imagens e diagramas místicos (yantras e mandalas), introjeção de poderes divinos no próprio corpo (nyāsa), etc. Esse tipo de Yoga se desenvolveu sob influência do Budismo esotérico, a partir do início da era cristã.

 

Hatha-yoga – Está é a conduta Yogin para o controle do corpo e da mente. O Yogin que segue esse método utiliza práticas bastante difíceis para transformar a estrutura interna sutil de seu corpo divino (o sistema de cakras e nadis), procurando obter a libertação (moksa) em um corpo divino (divya-kāya) imortal. As principais técnicas características desse tipo de Yoga são as purificações físicas (satkarmāni), as posturas (asana), práticas de respiração (prānāyāma), técnicas de contração e tapamento (bandhas e mudrās) para controlar os poderes internos (kudalinī, rāsa, prāna) e outras técnicas especificas para atingir o samādi, como concentração no som sutil (nāda). Essa modalidade de Yoga foi estruturada cerca de 1.000 anos atrás (é “recente”). O “hatha-yoga contemporâneo” tão popular no ocidente, foi criado cem anos atrás, baseando-se em posturas do Hatha-Yoga, adicionando outras posturas e movimentos de ginástica e luta. Quase todos os outros aspectos do Hatha-Yoga tradicional (incluindo sua finalidade espiritual) foram “esquecidos”. É indicado para quem busca transformação interior e exterior.

Há muitos outros tipos de Yoga indianos antigos (com mais de mil anos de idade), como Laya-Yoga (que não é aquilo que tem o mesmo nome no ocidente), Pāśupata-Yoga, Adhyātman-Yoga e outros. Em todos eles, o objetivo continua sendo o mesmo: moksa.

E para quem não quer (ainda) obter moksa, para que serve todos esses tipos de Yoga?

Eles proporcionam muitos benefícios colaterais, como obtenção de um maior desenvolvimento físico, mental, emocional e espiritual. Permitem um aperfeiçoamento gradual do ser humano.

(Fonte: Curso de Formação em Yoga – Natureza e princípios do Yoga tradicional indiano – Prof. Roberto de A. Martins)